O que importa?

- Quanto tempo! O que anda ouvindo?
- "O Amor Entre Nós Dois"
- Mas que coisa obtusa, antiga!
- SIm....
- Como está tua alma?
- Jesus...
- Claro! Você está alheia ao que importa!
- Foda-se. E você, parou de beber?
- fODAM-SE TODOS OS DIAS

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Considerações sobre modernas relações



Você vem na minha cozinha,
Pega a minha faca, meu pão,
Usa a minha manteiga e
E pra mim apenas migalhas.

Eu e este cara (que por uma questão de respeito não vou divulgar sua identidade) dividíamos o quarto sem janelas num hostel em Auckland e numa tarde de primavera, ao som de rock, ele me solta esta ideia. Eu só fiz organizar as palavras e pô-las neste formato. Eu achei a ideia genial. 



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Considerações sobre modernas relações (Zé) by Octávio Brandão is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
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“O Pecado Paga a Conta do Bar”



O centro está (tão) iluminado
De um vermelho tão ambíguo
E tantas poses pra colecionar,
São Paulo é uma jaula freak.

Cheiro de perfume barato,
Alguém quer me eliminar,
Eu ando em prédio abandonado
E durmo em escombros no meu sofá. Porquê...


Por quê?
Por quê?
Porque
o pecado paga a conta do bar!


As ruas passam e eu distraído
Filosofias de banheiro de bar,
A dose antes do imprevisível
Que se prepara pra vir me pegar

Quanto você quer pela alma
Eu sou o louco do gás neon!
Tem concurso pra modelo com câncer,
Pra virar capa de cigarro forte. Porquê...


Por quê?
Por quê?
Porque
o pecado paga a conta do bar!


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Crítica primata-mata


O chimpanzé entrou na sala com um caderno de notas embaixo dos braços. Vestindo camiseta azul-clara, calça marrom-escuro e chinelos amarelos, ele se sentou, pôs o óculos, cruzou as pernas pousando o caderno sobre o colo, olhou satisfeito a tevê desligada por cima dos óculos e começou: "música pop é composta de letras de sexo, fácil digestão e altamente apelativa para que possa atingir o maior número de pessoas, para ser tocada nas danceterias, lugares construídos para captar dinheiro por meio da venda de bebidas..."
Pondera, olha o teto, suspira, dá um tempo e continua.
"... Por sua vez as empresas de bebidas pagam publicitários e espaço na mídia, que também está enxarcada de música."
Coça uma a cabeça com uma careta. Arranca um teco de casca de ferida com um pouquinho de carne atada e, com lágrima nos olhos, cheira-a e trinca-a entre os caninos já meio quebrados.
"... para divulgar a bebida e a balada todos eles pagam taxas ao governo. Além disso, membros do governo possuem empresas rentáveis que também se beneficiam. Ao que permite esse tipo conjunto de atividades  dá-se o nome de democracia e liberdade, conceitos defendidos pelos novos romanos do império selvagem capitalista..."
Espirra. Espirra de novo. Arranha a garganta e continua.
"...este governo que é contituído de gente cujo único interesse é enriquecer às custas de benefícios políticos a poucas grandes empresas, que por sua vez são propriedade de um pequeno grupo de famílias tradicionais, as mais milionárias do mundo. Essas mesmo que monopolizam os bancos, a indústria alimentícia, agrícola, petrolífera e midiática."
Observa-se no espelho oval de moldura dourada, centralizando seu rosto no meio da parede verde.
"...o povão é a força motriz dessa indústria de produzir luxo, este que é mantido ignorante prestigiando instituições de ensino que seguem a cartilha do novo parasitismo à risca formando mais trabalhadores do que seres-humanos íntegros e pensantes. Consumidores vorazes e inconscientes, que consomem cada vez mais álcool, sexo e música ruim para destruir-lhes o espírito enquanto procuram uma fuga de suas vidas sem sentido e/ou significado."
Levanto-me, jogo o óculos longe e me jogo pelo espelho.
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Dizeres desinfelizes


Você sai do hospital e repara na placa: "volte sempre!" em dizeres sorridentes e pensa "só se for pra visitar sua mãe, disinfiliz!". Aí recompõe o pulso suave costumeiro da mente emocional e pensa budisticamente: "antes no hospital que no cemitério"...

O jogo

se revoltar é mais que continuar jogando, é aceitar o jogo como sendo legítimo, cara!

(Samsara Blues Band)
http://www.youtube.com/watch?v=AJXxcU__g1E

Coquetel Blues

Quantos aninhos você tem, honey?
´stá conservada em uísque bom.
Caras e bocas de espelho
Já são sucesso em Moscou.

Você me conta suas aventuras
E do seu jei/to / livre de ser.
Pede outro Blood Mary
E enxu/ga a boca com/ desdém.

Emenda uma Cuba Livre
E me quer pra ser o seu escravo
Eu quero sua seiva com gelo
Numa tulipa com meu feromônio.

Meia de seda, Manhattan Sweet
Havana é um coquetel caliente
Vou me afogar em tanta luxúria
Bebendo seu perfume na fonte.

Experimenta uma Lagoa Azul
Mas antes pro/ve o Bei/jo do/ Vam/piro
O gos/to/ ru/bro da /chaga/ fria
Que se mistura com a imensidão.

Prazeres são servidos em doses,
Ideologia é questão de estilo.
Aprecio tudo isso com gosto,
Inestimável, em um bom bordel.

Agora eu quero o seu suor,
O seu batom, sua língua gelada
Lutando pela liberdade
Na batalha que se trava na cama.

© 2009 Octávio Brandão All Rights Reserved




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