Coquetel Blues

Quantos aninhos você tem, honey?
´stá conservada em uísque bom.
Caras e bocas de espelho
Já são sucesso em Moscou.

Você me conta suas aventuras
E do seu jei/to / livre de ser.
Pede outro Blood Mary
E enxu/ga a boca com/ desdém.

Emenda uma Cuba Livre
E me quer pra ser o seu escravo
Eu quero sua seiva com gelo
Numa tulipa com meu feromônio.

Meia de seda, Manhattan Sweet
Havana é um coquetel caliente
Vou me afogar em tanta luxúria
Bebendo seu perfume na fonte.

Experimenta uma Lagoa Azul
Mas antes pro/ve o Bei/jo do/ Vam/piro
O gos/to/ ru/bro da /chaga/ fria
Que se mistura com a imensidão.

Prazeres são servidos em doses,
Ideologia é questão de estilo.
Aprecio tudo isso com gosto,
Inestimável, em um bom bordel.

Agora eu quero o seu suor,
O seu batom, sua língua gelada
Lutando pela liberdade
Na batalha que se trava na cama.

© 2009 Octávio Brandão All Rights Reserved




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Seda Sabine


Blatela libertina balbucia mariposa

Sabine mastiga Diazepam como Aspirina
Baratas sobem no santinho da cozinha
Bombas de efeito moral!
Bombas de efeito moral!

Tragédias do seu conta-gotas
Ajudam a esquecer o frio.
No fundo do seu poço jorra
Água cristalina!

Vasculha a Augusta procurando companhia,
Escorre no seu seio essa saliva sedativa
Terapia de choque!
Terapia de choque!

Difícil ser imaculada
Extasiada ante o precipício.
Toda a extensão da sarjeta
Incita à temporada da esbórnia.

Blatela libertina balbucia mariposa

Leda libertine
Gira no teto do salão
Com seu vestido de quitina marrom.

Se arrasta uma quadra até o bar da luz vermelha,
Se esfrega no chão ela anseia cocaína.
Efeito Colateral!
Efeito colateral!

Enclausurada, a madrugada
No topo do seu baixo-ventre.
No alto da sua torre
Estão degolando o rei!

O dia não nasce, despenca na cabeça
A vida retorna agarrada à garganta.
Busca e apreensão!
Busca e apreensão!

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Sr. Luther Blissett


Agora sou Luther Blissett
Outrora foi bem legal me conhecer.
Fui tanta estátua-viva de rua,
Estive inteirado dos papos de bar.
Tudo isso pra ser ninguém... Tudo isso pra ser ninguém pra você!

Decora bem o seu erregê,
Quem sabe você ganha identidade.
Imagina você lá no Hall da Fama,
Espetacular! seu nome em dourado.
Será que não é você lá... Será que é você lá pra valer?

Anônimos nas estruturas, anônimos pra esposa e filhos.
Prazer em me conhecer, sou o antônimo Sr. Luther Blissett.

Me assiste desaparecer,
Sob o holofote de estrelinhas de cor blasé!
O amor e a lua, tão esgotada,
Na vertiginosa noite paulista.
O que você não quer dizer...
O que você não quer dizer... É o que faz sentido sem clichê!

© 2010 Octávio Brandão All Rights Reserved


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a menininha e o carcamano



A menina vence a avenida.
Encantadora e vacilante,
Avança por entre possantes,
Sem mão amiga ou guia aparente.
Emancipada e munida da infância
Vai a menininha alheia e alegre,
Um pontinho de luz,
Envergonhando a Humanidade.
Como puderam se esquecer
Das almofadas nos pára-choques?
Do sorriso embaixo dos faróis,
(Todo carro tem cara de mau)
Nem mesmo palhaços pintados nas placas!
Advertindo o nobre motorista:
“Diversão à esquerda”..
Asas, jatos, pirotecnia...
Intimidados, engenheiros e designers,
Gente grande da indústria,
Voltam pro escritórios consternados.
A menininha ri. Rio com ela.
Atravessa a avenida porque tem pernas,
Enquanto me arrasto pela vida
Arrancando cabelos das narinas
E evitando levantar da cama, emoções...
Ruminando tragédias inusitadas,
A estupidez interesseira,
A incoerência das emoções,
A inutilidade necessária,
E a solidão religiosa.
Ela vai espalhando desconcertos
E cavando túneis no sistema de conceitos civilizados.
Tão natural como tecer seda, para o bicho-da-seda...
Fecho os olhos sobre a mesa, para o café,
O cigarro, a insegurança, os amores possíveis, as perdas financeiras,

A conta do psiquiatra, as conspirações; e fixo a mente nela.
E então encontro alívio

Octávio (urvbu) Brandão

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tarde calma

sensações que expandem
existenciais, frementes como estertor de borboleta.
uma flor voou e descansou.
a mão do Tao recolhe-a, vira tarde e sensação.

Octávio (urvbu) Brandão

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