Sonho sem visões



Na noite sem fim
que ecoa nos ladrilhos suados que
                        mantém mofo prisioneiro
                        do silêncio careta.
Eu ouso e desejo abrir chagas na
                         terra como faço incansável
Em meu simulacro viciado, o único que me suporta
Noites a fio
                definhando confortavelmente.
               Refém na vida
               Em cativeiro amoroso.
Masco o chiclete da desilusão
                Atentando contra o dia iminente,
Mas ele é carne fibrosa
-
Trôpego pelas vielas do labirinto conhecido
Sou o inevitável, o meio do caminho sem volta,
Fluxo maldito
Condenado e julgado nessa e em outras eras simultaneamente.
Como um sonho sem visões
             perturbador
Não há alvorada invadindo este meu túnel
                                        TUNÊÔFAGO
          Fagocitando estrelas
flatulando energia de deus depois.
Ouço o barulho confortável de
quase todos os potes que contém estrelas Nija.
Não me desconecte desse jogo!
Há abalos sísmicos em meu suor.
Há sofrimento demais neste plano
preciso alcançar o próximo ainda
Antes que toquem meu sino
E dói demais despertar.

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Então segue a mosca...


ouça Segue a Mosca no Youtube

© 2010 Octávio Brandão All Rights Reserved

“Segue a Mosca”
Segue a mosca na insônia
Aonde ela vai desovar?
A noite hoje está tão morna,
Essa é a última, não dá pra esperar.

Quem trouxe esse gosto doce
Invade orgia e funeral.
O segredo da sua fechadura
Não pé difícil adivinhar.

Rá, rá, rá rá! (4x)
Então segue a mosca!(4x)

Mosca de cianureto
Deixa nódoas roxas no ar.
Descreve o vazio do quarto
- Cadáver em carpete listrado!

Mas o seu dia está chegando,
As larvas crescem nesse corpo estranho.
Enquanto todo o resto apodrece,
Você só quer sobrevoar!

Rá, rá, rá rá! (4x)
Então segue a mosca!(4x)

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suicídio diário


 Não há nada além desse suicídio diário morno. Nada podeira ser significativo e que sobreviva entre observações ao espelho de que a franja, outrora farta e com um redemoinho vigoroso, está escasseando e dentro em breve se tornará uma testa árida. Desse desespêro de acordar de ressaca sem saber o que fiz na noite passada, mesmo sabendo que nem ébrio o espírito ainda nem guarde mais nem um pouco da juventude indômita. Há apenas uma rebeldia opaca, já doutrinada, amansada pela sensatez religiosa.
“Doc, i've been drinking in a suicidal fashion so... I know I am not a doctor but according to what I've seen could be steatohepatitis as my liver is not processing fat and there are pieces of it in my feces...” Esse despertar para voltar a dormir acordado, e olhar o travesseiro já com saudades, sabendo o dia ter sido programado previamente para ser uma merda, saber de antemão que vou me frustrar, amaldiçoar a Humanidade, querer fugir de tanta encheção de saco e de tudo que potencialmente pode me prejudicar para o resto dos meus dias, dessa hipocrisia, esse circo perigoso na qual se organizou a sociedade
Sentir remorso de tantas vezes ter gritado minha verdade ao microfone e a voz soar engraçada, fugir ao controle, e então, já nu, (mais tantas outras vezes) forçar a natureza para ver o limite membranoso e terminar num hotel sujo, deitado perto do encanamento mofado. Quantas vezes não marquei a alma como alguém que machuca a madeira com faca no mesmo lugar incessantemente, - alusões ao meu descontrole hedonista - e, alcunhado pederasta, tarado, marginal, besta social, nessa ferida incicatrizável que me acorda e me nina.
Quão arrebanhável e feliz seria eu se não houvesse a empatia com quem sofre, como o animal que mesmo chutado e tumorado, adoecido, sangrado em nome de Alá, cujo fumos de sua carne agradam a um louco deus fanático e caprichoso e, ainda assim possa olhar seu verdugo com amor e incompreensão, misturado ao medo e à tristeza de se saber condenado mesmo antes de nascer. Acorrentado eternamente e sem descanso a maldade criada à Sua imagem e semelhança e que a mim tem só desprezo e preconceito. Eu que no momento crucial fui chamado à sua presença e preferi a eternidade de um gozo momentâneo ao gôzo incerto de um futuro sempre ausente. Eu que tenho sentido gosto de esperma em copos de chá de camomila e achado engraçado, mas tenho sido maldito e maculado a inocência. Que tenho visto a infância agonizando, minguando, morrendo de inanição.
Eu que tenho buscado a droga aceitável nas mídias sociais para me engajar à minha época. Que tenho me masturbado de forma criminosa, que não fui aceito no clube da Humanidade, tendo meu título sido negado.

Não há nada além dessa falta de tempo para se viver, essa vontade de encher a cara, essa ameaça rotineira de um dia pegar a carcaça e me perder entre a prostituição e drogas das noites da Tailândia - me perder eternamente - , porém sendo restringido pelo amor de minha mãe, ao sentimento de amargura de tê-la feito sofrer tanto, ter-me internado, perdido noites de sono, tardes de trabalho duro indo a psiquiatras, e agora sentir que devo deixá-la ir primeiro à condená-la com o saber-me eternamente ausente. E assim mais uma vez espero consternado pela minha vez...
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Zeitgeist

Não ao capital simbólico!
Não ao valor agregado!
este silêncio de fones de ouvido
este desmesurado senso estético,
esta escola televisiva
este barulho que não deixa pensar, criar, esta corrente atando-me a ti
que te faz não me querer
este maquinário sóbrio e esses guardas do nariz torcido.

Você me quer de que jeito? Que sou tão inútil quanto um monolito não amoldável
Ocupo espaço nas víceras do sistema
Como nódulo inoportuno.

eu sou a ânsia pela abominação e não apenas morna recusa
instigo asco ao mero nojinho
a morte venérea à pornografia polida, ensaiada, de atos premeditados
vendida como trangressão.
Aliás a transgressão, a estampada em lancheiras, - antecessores das marmitas - de superfície, e tudo aquilo faz barreira, o sagrado e a glória de viés oportunista,
a estes mendigos de significância,
a eles o torpe inominável,
a eles nem mesmo os antônimos, carregados de potência mas de inverso valor,
a eles a nulidade à revelia.
Pois é chegado tempo dos últimos,
Os que apagam a luz,
As testemunhas do breu,
Glosando suas visões entre a profecia e o delírio!

Eu só tenho, aos tais apocalipses amenos,
Os cataclismos suavizados do espírito,
a eterna sentença a proclamar,
pautada em seus erros em pontuar o tempo,
como em todo crime, pela inocência de se pensar separado:
sejam condenadados não pela massa conduzida,
não pela ideia de espírito da indignação, - vinculado ao ente solitário, à composição vulgar;
que não queimem pelo fogo da emoção que anima a justiça tão carente de amor,
mas a serem a marca indelével da negação e do erro.



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Madrugada na Estação


ouça a poesia Madrugada na Estação

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Nota sobre gratidão e comunhão


“O Universo criou em seu seio o som, a palavra, o ouvido e a gratidão; então o som, a palavra. O ouvido e a gratidão não são estranhos ao Universo e, de alguma forma, este entende quando, em comunhão, ouvindo os passarinhhos numa manhã auspiciosa e ensolarada, eu dizer 'obrigado'. Nesse dia sei que a gratidão necessariamente tem endereço certo.” - Auckland/September - 2015

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neurotic simple quote

Photo by Stéphanie De Prekel

"Arrependo-me com amargura de todas as minhas paixões avassaladoras na falta de apenas uma que me prostrasse." - Auckland/November 2015