Pensamento sobre a condição do fracasso/$ubproduto

Meu aperto de mão é firme
É força de espírito.
Que você não vai drenar até exaurir.
Vim ao seu mundo sem que escolhessemos.
Mas por entre a carniça
Vou sair pela parte de trás de suas víceras.

A obra

A obra é o limbo úmido dos que erraram na curva da encruzilhada,
Dos que tomaram outro caminho,
Dos que aguardam julgamento
E purgam…
Lutar contra as formas rôtas do concreto
É a luta mais injusta que existe -
às coisas não se aplica justiça.
Pois o rancor e o remorso do condenado às coisas nunca afeta.
Ao metal retorcido é sujeitada a carne.
O chão empapado de chuva, o cimento e o suor;
Oprimem e diminuem a honra dos que sobre eles se esgueiram.

A obra é um espremedor de homens.
O coletivo dos perdedores, os sem sentido na vida.
Mesmo assim ainda aporta tanto ego inflado…
Herança hierárquica que escorre desde o milionário e que no fim deságua aqui.

O essencial é feito de lixar a pele nos poros do prédio,
E calejar os ossos ao som das pancadas e tiros que ecoam pelos corredores,
A cada saco ou pilha de bloco carregado de qualquer jeito, que extenua, acentua a curva nas costas,
Vê-se despontar um pouco do ódio.
A cada lamúria estridente do atrito do aço que adentra aguda no labirinto da alma trincando os dentes,
Vê-se erigir pouco a pouco colossos calados, bestas amansadas,
Espíritos de metal forjados pela marreta e o fogo.

Vêm os dias e eu vivo das cinco da tarde às cinco da manhã,
A vida é o refugo dos dias perdidos pelos andares escuros,
Longe do resto do mundo, emparedando lamentos e sangue,
A tentar dar função às coisas bem como dar função à angústia.
Com ferramentas penduradas ao cinto que são como grilhões que me puxam à terra.

Sou ninguém e sou leve.

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Lançamento do Santo!!!

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Alquimista urbano



No meio da selva da novissíma era
há o alquimista urbano e em seu cadinho mágico
Mistura ao crepúsculo, cânticos ancestrais,
Faz cessar as torturas do mundo por apenas um segundo.
Seu nome é ignorado
e seu labor consagrado.
E ao ruir das estruturas

Ele vai ascender.
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Alquimista urbano by Octávio Brandão is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
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Arde-me a saudade...



Beijo o desastre em cada cruzamento,
Com a língua cortada
E o que rubro goteja é a morna melancolia dos meus dias perdidos.
Nasci tarde demais e me arde o não ter de esperar
Mas o que se me escapou e ainda o vislumbro.
Arde-me a falta e a saudade,

Como braseiro de fotos cujo fogo caprichoso consome devagar….
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Porquê escrevo



Por que é que eu escrevo?!?
Você tem uma vida
E eu estou quase lá,
Aprendendo a morrer
Eu vejo a alvorada
Aprendendo a sangrar como um homem
Sorvendo saúde onde ninguém vê.
No ponto onde todos evitam chegar
Por temer a paixão.
Ali é que eu abro picadas
Escrevo para me esconder da incoerência do mundo
Como quem tapa os ouvidos.
Escrevo como quem chora pra dentro
Essa lamúria, esse soluço num ritmo penoso e vegetal,
Escrevo como um fugitivo cego.
Escrevo porque vi minha geração emudecer e definhar
Então decidi viver for a de mim.

(...)

Vivi longe da civilização, cara-pálida!
Sou os olhos que espreitam da mata,
A única testemunha do embate convulso,
Genuíno da natureza.
Deixei a segurança há tempos
E já não há como voltar.
Hoje a verdade é desnuda,
Hoje sou imortal,
Os raios do sol,
Queimando retinas
Incinerando neocórtex.
Sou as mãos em oferta
de todas as conexões subterrâneas
de toda mentação
que este universo contém.

Minhas veias forjadas para jorrar.
O coração, não não pulsa, estronda
Dita o compasso do dia -
Sístole, diástole/espasmo, frêmito.
Minha mente é baderna de vândalos
Que vociferam impropérios insanos,
Clamor sem sentido
Num caos orquestrado -
O maquinário sombrio de uma razão ocultada.
Minhas células são logaritmos,
Seguem desordenados
Ao som do susto e do sacrifício.
Arrastando esta carcaça rumo ao descanso final (???)
Mas não há, porém, abrigo no reino do sofrimento entrelaçado!

Vejo atônito a morte avançar
E falta-me força para resistir.
Renego a beleza em um manifesto de amor perdido
Meu ser supera o abismo
Delineia delicado sua imensidão.
Meus versos são mansos, não-lineares
Rumo à perdição do espaço cósmico,
Como mancha energética
Cuja substância desconhecida se dilui mas reluta
Então mantém sua unidade primordial.
Ironicamente conectadas, todas minhas personalidades
São como amantes perfeitos fadados a nunca se conhecerem.
Sou sua busca eterna,
Sua ânsia insaciável.
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Sem paixão: Auckland

Os círios queimam dentro de mim, porém, não há paixão em Auckland.
Um dia acordo pêgo pela doença e ainda deixo você!
Não pague pra ver de quânticos ratos compõem a música de meu corpo semi-etéreo.
Não pague pra ver de quantos becos fugi,
Em quantas galerias de esgoto dormi
Com a lua escorrendo seu leite por sobre o limo e o concreto, que sorvi por noite à fio
Em minha maldita terçã.
Não queira saber…
Não! Da minha fome eterna!
De coisas fantasmas,
De meu miasma que não me mata
e me judia.

Hoje acordei doente, Auckland.
E não há sacra salvação, descobri,
Quando sou rei de minha solidão e aqui sou o Santo dos Viciados,
O Esquecido! (????????????????????)
E comigo padecem ignominiosos outros pagãos,
Como pôsteres em meu quarto
- Um panteão -
Que descolam com o tempo
levando consigo pedaços da parede coronariana
Desse coração leviano, antiquado, piegas.

Hoje acordei ao seu lado, doente, rangendo os dentes.
Arfava e ouvia a gaita inflamada
em meu peito onírico.
Com fôlego raso de poesia – Auckland, você não me inspira!
Suas noites sem rock, coleira ou correntes que rasgam a pele;
Suas noites zumbis perambulando ao som estridente da superfície do céu,
essa voz solitária que vem dos fones de ouvido.
Orgástica! Destoa da sua candura fingida, - ninfeta!
Meu agouro vai se decompor em seus banheiros públicos
Com lâminas e agulhas
Como cadáver ocultado, inocente por algum paranoico.
Malditos sejam os anos que me deixaste a esperar,
Como urubus que sobrevoam o moribundo infante na praia ao primeiro respiro da alvorada.


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