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A Grande Festa da Casa de Chá (um Espetáculo Literário)



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Nas palavras do personagem principal, Bira:
" – Não é uma suntuosidade, (expansivo com as mãos) mas, possui um charme singular. Lá nós apresentamos shows de qualidade superior e muitos outros atrativos que, além de garantir o mais elevado grau de entretenimento, com certeza vão deixar os vossos convidados de boca aberta.
Cláudio (surpreso) – Nããããão...Trata-se de uma boate de...
Bira (objetivo) – ...shows exóticos...
Camargo (desconfiado) - ...e danças incomuns...?
Bira (evasivo) - ...de damas solitárias...
Cláudio (efusivo) – É um rendevouz?!?
Bira (humilde) – Sim, mas inocente. Quase uma casinha de sapê. No entanto é grande, é...é...é a nossa Casa de Chá!
Cláudio (mais efusivo!) – É um puteiro! Sim, um puteiro de luxo!..."
É na Casa de Chá onde se cruzam histórias de figuras carimbadas do submundo paulistano. É lá onde são diluídos os dramas pessoais das prostitutas, dos frequentadores e até dos donos e o único remédio conhecido por eles é a esbórnia desenfreada.
Ler "A Grande Festa da Casa de Chá é literalmente estar na presença de Bira, o dono do puteiro, bêbado, viciado em jogo e com aquela lábia típica do malandro. É o "RP" da casa. Enquanto sua esposa, dona Marlene, a loira thailandesa, maluca, rampeira de coração bom, dá duro gerenciando o trabalho das "sua rolinhas". Dentre elas estão Paloma e Sabine, pratas da casa! Duas completas junkies niilistas. Tem a Graça, puta carioca que fugiu do Rio e o Nico, o chique barman gay que, pelo microfone destila sua classe, dá o tempero chique e espirituoso ao climada Casa, ao som dos "Meus Meninos", a banda contratada. Dentre os amigos estão Miguel, Ângelo e Thomás, amigos de infância que frequentam religiosamente o lugar. Mas o que faz a roda da trama girar é o aparecimento de três empresários bem-sucedidos que querem fazer uma festa de arromba exótica no lugar, é aí onde há o choque de personalidades que faz com que o lugar pegue fogo.
O texto, em formato teatral, apresenta descrições precisas sobre movimentos, expressões, iluminação e postura, e que conta ainda com artifícios cênicos como um telão, fazendo com que essa obra transcenda a narrativa pura, apresentando pelo menos três realidades diferentes: a da Casa de Chá, a dos atores atuando no teatro e a do telão. Tudo feito para ser fantasia.
Por ser um musical, o leitor ainda é brindado com poesias que tornam a leitura uma degustação, um deleite ébrio.
Além disso a Casa de Chá é cativante, tem vida própria e paira sobre todos os personagens como se fosse uma verdadeira musa, uma santa dos decadentes, viciados e frustrados. Um brinde à deformidade moral. Um elogio à amizade, uma homenagem ao cinema brasileiro dos anos 80 e um instigante convite à discussão sobre a cultura do prazer.
"A Grande Festa da Casa de Chá" é uma expressão genuína do Realismo Urbano, um movimento artístico rico e atual, nascido do imaginário popular das grandes cidades.

© 2009 Octávio Brandão All Rights Reserved

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